Em entrevista, Titico fala sobre o drama que passou nas mãos dos sequestradores

Macau – Na quinta-feira, 6, a tarde,  o comerciante macauense Francisco de Souza Santos, conhecido por Titico Pescado – que tem uma peixaria no bairro da Cohab – foi levado do seu estabelecimento por dois homens encapuzados que estava em um carro  e  anunciaram um assalto.

Evangélico, pai, avô e sem inimigos conhecidos, Titico e seus familiares não sabem o motivo das ameaças, o qual ainda deve ser elucidado pela polícia.

Após uma semana do incidente, Titico recebeu em sua residência as equipes de reportagens dos Portais Costa Branca News e do Macauense.  Abalado psicologicamente, ele falou sobre o drama que passou durante às horas em que esteve nas mãos dos sequestradores.

O início do sequestro

“Eu estava em Macau e o comércio fechado, vim de moto e quando chego no comércio tinha um carro parado – isso às 14h – uma pessoa de dentro do carro abriu o vidro e perguntou se tinha peixe e respondi que tinha e disse que ia pegar a chave. Quando abri o comércio e fui pegar o peixe os dois homens encapuzados estavam dentro e me disseram ‘não quero peixe é um assalto’, no momento tentei negociar com eles oferecendo dinheiro, meus cartões de créditos e a moto aí eles falaram: ‘não quero, vou levar você’.

Em seguida eles mandaram ir para o carro e pegaram o controle. Nesse momento só pensei nos meus filhos e nem olhei o carro e a marca. Entrei de costas na parte traseira do carro, os sequestradores não conseguiram travar e o alarme disparou. Minha  preocupação era que meus filhos não ouvissem o alarme, pois não poderiam saber o que estava acontecendo”.

Tensão na mira da arma

Segundo Titico, os sequestradores disseram que iam – inicialmente – levá-lo a uma agência bancária e sugeriu a eles que entrassem à esquerda. Foi quando eles responderam: “a gente sabe para onde estamos levando você’. A partir daí colocaram uma camisa grossa em seu rosto e uma arma apontada para sua costela. Titico não tem a mínima ideia do percurso, mas acredita que percorreu cerca de 15 km por uma estrada de barro onde pararam.

O grito de socorro

Após pararem, Titico disse que os sequestradores lhe agrediram pelo fato de ter reagido e aí gritou pedindo socorro ao ver um carro estacionado a certa distância. Só que nesse carro tinha outra pessoa, ou seja, outro sequestrador.

Titico conseguiu  segurar na mão do motorista e enfrentar o outro que estava com a arma, conseguindo sair do carro, tudo isso com o rosto coberto por uma camisa. Foi quando o sequestrador jogou a arma contra a sua cabeça, o empurrando de volta para o carro e colocando o cinto de segurança no seu pescoço. O outro sequestrador, que estava no banco do passageiro, pegou a arma e disse que ia matá-lo. Ao tentar bater com a arma na cabeça de Titico, o bandido acabou atingindo o seu olho, entre outras agressões.

Segundo o comerciante, os sequestradores estavam muito alterados, em nenhum momento tiraram o capuz e estavam com armas potentes. Após todas essas agressões continuaram rodando na estrada de barro, até que o jogaram pra fora do carro, por volta das 18h30.  Os bandidos também lhe deram água para lavar o rosto.

A prece por uma ajuda

Após lavar o rosto, Titico procurou se esconder dentro dos matos temendo que os sequestradores voltassem e o pegassem novamente. Depois, sob fortes dores, seguiu na entrada e andou cerca de 250 metros, já sem força para andar.

Pediu a Deus para que aparecesse alguém na estrada. Foi quando surgiu um pescador que mora nas imediações e o trouxe até sua residência. Como era noite, o pescador não percebeu o que havia acontecido com Titico pois achava que tinha acontecido algum problema no seu carro. O pescador só tomou conhecimento do que aconteceu quando os familiares de Titico o receberam.

O pensamento na família

Durante às horas em que esteve nas mãos dos sequestradores, Titico disse que passavam vários pensamentos pela sua mente. Pensava especialmente na sua mãe que tem 90 anos, nos filhos, nos netos e nos irmãos.

“Ele (Titico) é meu irmão mais novo e me espelho nele pela sua bondade. Com ele a gente pode contar”, disse seu irmão Reinaldo.

Justiça e Segurança

A família nos enviou uma nota:

“Só pedimos a atenção do Secretário de Segurança Pública e Defesa Social do RN, Caio César Marques Bezerra; do Comandante Geral da Polícia, Coronel Dancleiton Pereira e do Delegado Geral da Polícia Civil, Cleiton Pereira, para que possam trabalhar no sentido de combater a criminalidade e assegurar a paz do povo macauense”.

 No final da entrevista Titico clamou para que as autoridades deem atenção a esse incidente. “Só quero que se faça justiça”. E concluiu dizendo que “esses bandidos não tiraram  a minha vontade de viver”.

Agradecimento: Os Portais Costa Branca News e o Macauense agradecem aos familiares e especialmente a Titico por nos receber, mesmo estando sob cuidados médicos.  Não o fotografamos em respeito ao seu estado de saúde.

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