Contraceptivo masculino pode vir de veneno de planta africana

Veneno que era usado em flechas pode ser base para o contraceptivo masculino

Do VivaBem, em São Paulo

As pesquisas científicas avançam em busca de criar um anticoncepcional efetivo para os homens e a reposta pode ser mais improvável do que imaginávamos.

Um estudo, publicado no Journal of Medicinal Chemistry, mostrou que um produto químico do extrato de plantas que guerreiros africanos usavam antigamente como veneno em flechas pode ser adequado para criação da pílula contraceptiva para homens. Por essa você não esperava.

Pesquisadores da Universidade de Minnesota e Kansas, nos EUA, estudaram a ouabaína, substância tóxica derivada de dois tipos de plantas africanas – e produzida em mamíferos em pequenas quantidades- como candidata a base do novo medicamento.

Antigamente, guerreiros africanos separavam raízes, caules, folhas e sementes das plantas Acokanthera schimperi e Strophanthus gratus no leste da África, segundo o site Science Alert. Eles extraíam a substância venenosa ao ferver a planta e passavam o líquido na ponta das flechas.

Os africanos usavam a ouabaína concentrada em altas doses como veneno, pois ela aumenta a força dos batimentos cardíacos e desestabilizava o inimigo. Mas a substância não é tão cruel assim, em doses muito baixas pode ser usada para tratar condições como arritmia, por exemplo.

Pesquisas anteriores já tinham considerado a ouabaína como opção de anticoncepcional por que ela afeta a fertilidade do homem, ao reduzir a capacidade de nadar dos espermatozoides. Mas os projetos não continuavam devido às no coração.

Até que o jogo virou. O novo estudo conseguiu adulterar o arranjo molecular da substância e criou um análogo de ouabaína, que freia a fertilidade masculina sem ser tóxico ou interferir no coração.

O produto foi testado em ratos e os animais tiveram a mobilidade dos espermatozoides reduzida. A substância interrompe a capacidade dos espermatozoides de tal maneira que causa a infertilidade.

E os sintomas são reversíveis. Quando os animais pararam de tomar o medicamento a produção de espermatozoides foi restabelecida. Os resultados animaram cientistas, mas outros estudos ainda precisam ser feitos para garantir a eficácia em seres humanos.

Foto 1: diariodebiologia.com

Foto 2: Flechas – Imagem: iStock

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