Atriz e cantora Bibi Ferreira morre aos 96 anos

Bibi Ferreira, grande diva do teatro brasileiro, morreu no início da tarde desta quarta-feira (13)e, aos 96 anos, após sofrer uma parada cardíaca. A notícia foi confirmada ao UOL pelo empresário dela, Nilson Raman.

Ainda não há informações sobre o velório, apenas que ela gostaria de ser cremada.

Atriz, cantora, compositora e diretora, ela estava em sua casa, no Flamengo, quando passou mal. “Foi um infarto fulminante. Ela estava muito idosa, foi muito rápido. Foi sem sofrimento, graças a Deus. Ela tinha uma saúde de ferro, chegou a hora dela”, disse ao UOL a neta Claudia Ferreira Gonzalez Lima.

No ano passado, Bibi enfrentou uma série de problemas de saúde. Ela chegou a ser internada com quadro desidratação.

Em setembro passado, Bibi anunciou sua aposentadoria dos palcos, após 77 anos de carreira. Sempre ativa, com espetáculos diferentes na estrada, ela estava na época ensaiando um novo show dedicado ao cancioneiro de Dorival Caymmi. O repertório estava quase escolhido e a banda começava a ensaiar quando ela decidiu não mais se apresentar ao vivo.

“Primeira-dama” do teatro

Filha do ator Procópio Ferreira e da bailarina Aída Izquierdo, Bibi é considerada a primeira-dama do teatro brasileiro, tendo estreado nos palcos com apenas 20 dias de idade, na peça “Manhãs de Sol”, substituindo uma boneca que desaparecera horas antes do espetáculo.

Passou pelo colo de Carmem Miranda, tomou dicas de canto com Noel Rosa e estudou teatro em Londres em 1942. Até hoje, era uma das artistas brasileiras com uma das carreiras mais longevas.

Como atriz e cantora, Bibi teve grande sucesso nos musicais “Gota d’Água”, de Chico Buarque e Paulo Pontes, “My Fair Lady”, “Alô Dolly” e “Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção”, em 1983. Com este espetáculo, Bibi percorreu o Brasil inteiro e vários países, encerrando a turnê em Portugal.

Em 1960, ela inaugurou a TV Excelsior com o programa “Brasil 60”, no qual usava o recurso do videoteipe para transmitir reportagens das capitais brasileiras, aposentando o programa ao vivo, o que, até então, era comum na TV brasileira. O sucesso foi tanto que se desdobrou em “Brasil 61”, “Brasil 62” e assim por diante.

Na Excelsior, fez também “Bibi Sempre aos Domingos”. Em 1968, ela voltou à televisão e comandou na TV Tupi carioca o musical “Bibi ao Vivo”, com direção de Eduardo Sidney. No programa, Bibi apresentava, cantava e dançava com a orquestra do Maestro Cipó e as coreografias de Nino Giovanetti no histórico auditório da Urca.

Bibi Ferreira nunca aceitou papéis em telenovelas, pois não se sentia à vontade vivendo personagens na telinha. O veículo se adequava melhor ao temperamento histriônico de apresentadora, onde criou estilo único. Além de ser poliglota, sempre transmitiu muita credibilidade, que vinha de sua ampla cultura, e fazia isso com charme imbatível. Na transmissão que fez para a TV Tupi, em 1972, da entrega do Oscar, maior prêmio do cinema mundial, mostrou todo esse potencial.

Nos anos 90, Bibi Ferreira completou 50 anos de trajetória artística com o espetáculo “Bibi in Concert”. Em 2009, em homenagem ao Ano da França no Brasil, ela retornou ao Teatro Maison de France para reviver o musical “Bibi Canta e Conta Piaf”.

Imagem: Fabio Braga/Folhapress

Ana Cora Lima

Do UOL, no Rio

 

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