OMS: reabrir escola em meio à forte transmissão pode ampliar crise

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a abertura de escolas em locais onde a pandemia está fora de controle pode agravar a transmissão. O alerta foi feito nesta quarta-feira, 05, num momento em que as instituições internacionais se mobilizam para convencer países a lidar com milhões de jovens fora dos sistemas de ensino.

“Todos queremos a reabertura de escolas. Estamos pagando um preço alto pela falta de educação. Em muitos países, as escolas são os locais mais seguros para as crianças, com acesso à alimentação”, disse o chefe de operações da OMS, Mike Ryan, nesta quarta-feira.

“Mas a realidade é que, a não ser que tenhamos um controle sobre o vírus e estivermos suprimindo a transmissão, reabrir as escolas num contexto de ampla transmissão vai provavelmente fazer o problema piorar, e não melhorar”, alertou.

Para ele, uma reabertura exige que haja um número baixo de contágios, escolas preparadas e um plano, caso a contaminação volte a ganhar força naquele local.

Segundo ele, isso reforça a responsabilidade de comunidade de empurrar transmissão para baixo, justamente para poder reabrir as escolas. Ryan ainda faz uma crítica à decisão de autoridades de dar prioridade à reabertura de bares.

“Talvez tenhamos de escolher. (A abertura) dos dois pode criar uma consequência indesejada”, disse. “Precisamos alunos e professores de volta para as escolas. Mas precisamos fazer isso de forma segura”, defendeu.

Nesta semana, a ONU fez um apelo para que governos deem prioridade à abertura das escolas, sempre que haja controle da doença. Caso o ensino não seja retomado, o mundo pode experimentar uma “catástrofe geracional”.

“Vivemos um momento decisivo para as crianças e jovens de todo o mundo. As decisões que os governos venham a tomar agora vão ter um efeito duradouro em centenas de milhões de jovens, assim como nas perspectivas de desenvolvimento dos países, durante décadas”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS, alertou que um país “não pode ter uma discussão sobre a escola sem que haja uma discussão sobre a comunidade”. “Não há uma receita única para o mundo todo. Escolas não sai iguais pelo mundo”, disse.

Juventude responsável Para a OMS, parte da responsabilidade deve ser ainda da população jovem dos países. Em muitos locais, a agência alerta para um comportamento problemático de parte desse grupo que se recusa a ser testado ou a dar seus nomes e telefones em locais de aglomerações, inclusive na entrada de discotecas e bares.

“Precisamos pensar nas consequências. Claro que existem pressões sociais e precisamos reconhecer isso. Mas precisamos ser prudentes”, disse Ryan. “E precisamos nos perguntar: precisamos mesmo ir a essa festa?”.

Hoje, entre 10% e 20% dos infectados são responsáveis pela transmissão de 80% dos casos. “Temos um longo caminho ainda pela frente”, alertou o chefe de operações.

“A história das pandemias mostra que elas levam um tempo para serem controladas”, disse. “Ninguém pode prever quando ela vai terminar”, completou.

Jamil Chade

Colunista do UOL

 

 

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